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O que eu vejo quando me olho no espelho

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Minhas mãos começam a percorrer minhas coxas, eu vejo o reflexo no espelho e fico contente. Depois de longos anos, elas finalmente parecem diferentes, mais finas e definidas. Eu subo um pouco mais as mãos e meus olhos acompanham tudo através do espelho. Chego na minha barriga, e aparentemente o pequeno sorriso que eu tinha, começa a se desmanchar. Penso que não parece quanto esforço eu faça, ela continua lá, intacta e enorme. 

Tento afastar esses pensamentos ruins, afinal mudanças duradouras demoram, e não tem porque ter pressa. Subo um pouco mais as mãos, e chego aos meus seios. "Eles diminuíram não?!" É uma pergunta retórica, é claro que eles estão menores, mas ainda estão lá me deixando cada vez mais insatisfeita. 

Meus olhos rolam para meus braços que hoje estão bem mais finos do que antes, e descem então para minhas mãos que tem os ossos levemente definidos. Uma pulseira antiga está larga. 

Eu estou feliz, mas não é o suficiente. 

Agora eu observo minha clavícula finalmente marcada. Ela está tão linda, e eu quero pular de alegria, porque em tanto tempo essa é a primeira vez que aparentemente me sinto bem comigo mesma.... Mas então, meu olhar se encontra com o reflexo do meu olho, e eu realmente quero chorar. Eu não estou feliz, não estou sorrindo, estou desgastada e visivelmente péssima. 

Aquelas vozes não se calam nem por um minuto.

Gorda.
Ridícula.
Baleia. 
Enorme. 
Se cair sai rolando.
Nunca vai arrumar um namorado. 
Acha que é bonito ser desse tamanho? 
Enquanto todo mundo está se cuidando, você só sabe em comer. 
A gente nem pode chamar muita gente, porque você come por cinco pessoas. 

Eu ouço isso repetidas vezes na minha cabeça, aquilo me machuca. Parece que todo o esforço foi em vão, nunca serei o suficiente. Não vou dizer que amava do jeito que era, mas eu me aceitava. 

Gorda. Gorda. Gorda. 
Gorda. Gorda. Gorda. 

Será que vocês podem parar de dizer isso? Isso me machuca. Eu não fiquei assim por escolha minha, ao menos sabia o que estava jogando pra dentro do meu corpo. Eu tinha apenas doze anos, como eu iria saber o que deveria ou não comer? Ao invés de me julgarem, porque vocês não me ajudam. 

Eu acho engraçado a forma como os mesmos que gritam ao meu ouvido que eu continuo gorda, são os mesmo que me entopem de comida e dizem que "Já está bom", "Chega", "Está magra demais". Não, eu sei que não estou, porque a todo momento eu vejo olhares me julgando e dizendo o quão enorme eu estou. 

Você me colocaram nesse buraco, e eu só vou sair dele quando eu estiver linda. Linda aos meus olhos. Eu posso sair disso bem magra, ou bem gorda. Talvez eu esteja no meio termo, ou até com músculos definidos... Mas enquanto eu me moldo, eu vou matar cada um de vocês que me fizeram sofrer e chorar nesse longo caminho. 

Eu vou me olhar no espelho e dizer que o que eu vejo, é o que eu amo