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| Dedico esse texto a meu amigo e fiel escudeiro, J. ♥ |
Hoje bateu uma vontade de entrar no meu carro, passar na sua casa e te buscar para comermos em algum lugar foda, com um showzinho ao vivo. Nada de mais, apenas viver. A rotina está cada vez mais intensa. Escola, trabalho, projetos para se entregar, sentimentos e sensações a flor da pele. Isso acaba me matando cada vez mais, pelo simples fato de que vou continuar seguindo essa mesma rotina até o dia da minha morte. Bom, talvez nem tanto mas vai chegar um momento em que vou olhar para trás e perceber que não vivi o suficiente, e gastei minha vida inteira em prol de assuntos impostos por uma sociedade restrita (lê-se também: massacrante, impetuosa, repugnante).
Sabe, eu quero o prazer de poder vestir um short e uma chinela, sentar no banco central da praça e sentir o vento bater em minhas canelas, enquanto me dou ao luxo de pagar cinco reais em um algodão doce, sentindo a serotonina aumentar a cada pedaço do pedacinho de nuvem colorida que ponho em minha boca.
"Acredito que este dia não pode melhorar" pensarei comigo, mas automaticamente me esquecerei deste, ao ver a garota esguia, morena, de cabelos pretos e um óculos da mesma cor se aproximar. Ela se acomodaria ao meu lado e roubaria um pedaço da minha nuvem colorida. Um sorriso grande surgiria no meu rosto e eu contornaria sua fina cintura com meu braço e beijaria sua bochecha. Neste momento não só meus níveis de serotonina estariam altos, mas também a ocitocina e a dopamina se juntariam formando o trio perfeito, me levando a um estado conhecido como amor.
Não tem nada de mal e de cruel em querer um tempo para si e para as pessoas que te fazem bem. Quero me sentir livre e não seguir fielmente o que me fora imposto. Quero beber até passar mal no dia seguinte. Quero dançar a música mais ridícula que puder existir. Quero cantar com a voz alta e desafinada para qualquer um ouvir. Quero experimentar um cigarro e tossir na primeira tragada. Quero sair no meio da noite, e declarar meu amor por aquela idiota que insiste em não enxergar que eu a amo. Quero comprar o maior sanduíche do "Dogão", e depois pedir por uma sobremesa. Olhe bem, eu não tenho mais 16 anos, já sou maior de idade, eu posso fazer essas coisas certo? Não que eu me orgulhe disso, pois me sinto péssimo em ser um adulto agora, mas esse é o ciclo e a única coisa que eu não quero é matar a criança e o adolescente que ainda existe em mim.
Eu só quero viver, saca?!






